Investimento e Trading: cada vez mais ciência, cada vez menos exata

Se por um lado a evolução da tecnologia abre as portas para tornar o trading, e, na prática, todo e qualquer investimento, mais científico, e portanto envolvendo cada vez menos aspectos emocionais e comportamentais — ou pelo menos aumentando o controle sobre esses aspectos — por outro lado minha visão é que essa é cada vez menos uma ciência exata.

E a evolução da inteligência artificial é talvez o divisor de águas nesse sentido.

Um bom exemplo desse cenário é o grande potencial atual de trading, e até mesmo investimento, tanto em operações long como short.

No passado — e muitos investidores ainda não sabem disso — a maior parte dos players era obrigado a operar apenas em uma mão: a compradora. Hoje, a liquidez e oportunidades para você operar na mão contrária, a vendedora, é cada vez maior, o que torna a ciência cada vez mais fundamental, e, da mesma forma, as principais áreas cognitivas e digitais, ganham força.

Ciência, cada vez menos exata

Seria tudo perfeito, para todos traders e investidores, se não existisse nesse cenário o crescimento de dois outros fatores: o aumento da competição e a dificuldade de estabelecer regras justas.

Me parece lógico que, quanto mais disseminada a ciência nessa área, maiores as oportunidades para todos, e portanto o aumento da competição. O que não parece tão lógico, e esperado, para a maior parte dos players, é que a dificuldade de estabelecer regras justas em um cenário assim, de alta dinâmica e potencial disseminado, se torna cada vez maior, aumentando também os riscos de um mercado desleal.

Com isso, recomendo a todos os traders e investidores, tanto do mercado de capitais, como de qualquer outro mercado existente, adotarem cada vez mais métodos científicos em suas escolhas, e, ao mesmo tempo, adotarem cada vez mais métodos de proteção para suas escolhas, e de seus métodos, sejam eles criados pelas pessoas, sejam eles criados pelas próprias máquinas.

Em outras palavras, o resumo da ópera é que devemos esperar mercados cada vez mais competitivos, caóticos e imprevisíveis, utilizando a ciência — ao máximo — para sobreviver, nessa realidade, de grandes ameaças, e oportunidades, para todos.

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Por Rogério Figurelli em 22/07/2019