Robôs e a hipótese da volatilidade ativa

Com a crescente automatização de estratégias, uma realidade até mesmo no Brasil, com a entrada de plataformas de algoritmos acessíveis a todos os públicos, acredito que a volatilidade dos ativos e seu comportamento deveria ser totalmente reestudada.

Nesse sentido, minha proposta é que se separe a volatilidade em dois tipos: volatilidade passiva (a que está nos livros e na maioria das fórmulas de finanças quantitativas) e a volatilidade ativa.

Na verdade, acredito que a volatilidade da forma que conhecemos hoje, e está presente e disseminada na literatura, é cada vez menor. E o que aprendemos nos livros é o que considero a volatilidade passiva, pois é causada por movimentos involuntários ou, digamos assim, pelas leis de oferta e demanda da economia.

Dessa forma, até mesmo paradigmas como o modelo Black-Scholes de apreçamento de opções, o Índice de Sharpe e o próprio modelo de otimização de portfólio de Markowitz, para comentar apenas os mais conhecidos, são impactados por essa nova realidade, onde a volatilidade é cada vez mais induzida e estratégica, e não apenas algo passivo resultante do equilíbrio de forças de compra e venda de ativos.

Sobrevivendo à volatilidade ativa

Alguns desses modelos já baseiam suas ideias em uma volatilidade ‘livre de risco’, como se a realidade assim fosse possível.

Mas acredito que o único conceito que realmente pode livrar nossos robôs e estratégias do risco é o de proteção contra a volatilidade ativa.

Dessa forma, devemos estar atentos para a realidade dos mercados com uso massivo de algoritmos ‘inteligentes’ operando em frequências onde nossas sinapses não são capazes de reagir, e onde a volatilidade é cada vez mais voluntária e estratégica, principalmente com a atuação de robôs em alta frequência, embora esteja ao alcance de todos mesmo em baixa frequência, desde que tenham a tecnologia e capacidade financeira para isso.

Por exemplo, novas tecnologias, principalmente de Inteligência Artificial, devem ser capazes de identificar ou até mesmo prever, dentro de processos estocásticos, até que ponto os movimentos de mercado foram causados pelas leis de oferta e demanda ou por ação dos preços por volatilidade ativa.

Na verdade, existem cada vez mais momentos de mudança rápida de preços entre dois pontos que poderiam, por hipótese, terem sido causados por ação estratégica ou o que refiro à volatilidade ativa, nesse caso representada por uma janela específica no tempo.

E a sobrevivência de muitos modelos depende, justamente, de considerar essa possibilidade, e estar preparado para o fato de ela não ser apenas uma hipótese.

Sds.,
Rogério Figurelli
trajecta.com.br
01/08/2019