Por que os projetos de RPA falham?

O RPA, ou Robotic Process Automation, chegou atrasado no Brasil, como a maior parte das tecnologias no estado da arte.

Mas talvez, pelo menos para esse caso específico, isso não seja de todo ruim. E a lógica para isso está no fato de que a maior parte dos projetos de RPA, em escala mundial, falham em pelo menos um aspecto estratégico ou relevante.

Dessa forma, apresento uma análise sintética dos cinco pontos que considero mais relevantes para esse cenário, e onde qualquer empresa que adote essa ferramenta, deveria estar atenta.

1.Falta de entendimento do RPA
Qual a diferença de automação e autonomia? Se você não sabe, é provável que não entenda bem o RPA e todo seu potencial, e esse é certamente um bom ponto para começar. Na verdade, a maior parte dos profissionais da área de processos só conheciam até muito pouco tempo atrás as soluções de BPM. Da mesma forma, os melhores profissionais de tecnologia na área de RPA conheciam muito pouco sobre a teoria de processos em si. E o  resultado dessas deficiências é a falta de entendimento do RPA. Não por menos, infelizmente, até hoje vejo em reuniões, onde a arquitetura de automação inteligente é apresentada, profissionais da área serem surpreendidos pela mudança de modelo e potencial de colaboração, ou, competição, em muitos processos, de pessoas e máquinas. Ou seja, justamente quem deveria ter o melhor entendimento da ferramenta, entende apenas de alguns de seus efeitos, e pouco, ou quase nada, de suas causas e objetivos principais.

2.Falta de expertise de fornecedores de RPA
Da mesma forma que o problema de adaptação dos profissionais, apontado no item anterior, a maioria dos fornecedores de RPA não possuem expertise na tecnologia, já que ainda estão engessados ao paradigma de programação ou definição de regras, em modelos antigos como o BPM. Na verdade, até bem pouco tempo, muitas dessas empresas consideravam o RPA inviável, tendo sido pressionadas para mudar e começar a oferecer soluções de emulação de processos manuais, o que cria uma barreira cultural a ser superada, on the fly, e, infelizmente, em muitos casos, utilizando o cliente como cobaia do processo.

3.Falta de visão estratégica do uso do RPA
Uma organização, ou fornecedor, que trabalha com modelagem de processos de forma obsoleta, certamente irá enfrentar dificuldades de mudar de visão, e estratégias, para competir no mercado. Se os seus concorrentes vencerem nesse sentido, os riscos serão muito grandes de todo o projeto de RPA falhar, ou, pior ainda, ser apenas um elemento de engessamento dos processos, e a organização ser impactada por seus erros.

4.Falta de planejamento top-down e dos processos cognitivos
O RPA nada mais é que um subset de algo maior e mais complexo, que se chama Inteligência Artificial. Mas se você olha o RPA de baixo para cima, ou através de uma visão bottom-up, talvez nem tenha percebido isso. Nesse contexto, o domínio de conhecimento dos limites e capacidades dos processos cognitivos, principalmente da união de forças de pessoas e máquinas, é cada vez mais fundamental e necessário ser planejada bem no início de um projeto de RPA.

5.Falta de apoio das equipes internas
Se você chegou nesse item com toda a certeza que está muito bem preparado nos anteriores, é importante lembrar que suas equipes internas também devem estar alinhadas. Entretanto, um dos maiores problemas para isso é que as pessoas, muitas vezes, são impactadas pelos riscos e ameaças do RPA, principalmente se não existir um modelo inteligente que busque incentivar a melhoria constante, com treinamento e valorização das equipes que dominam os processos, muito antes de eles serem automatizados.

Sem dúvida todos esses pontos podem, e devem, ser melhorados em qualquer projeto de automação inteligente de processos, começando justamente por essa visão top-down.

Mas, na minha opinião, isso só irá ocorrer, na prática, se de fato não existir miopia na análise dos pontos críticos que fazem a maior parte dos projetos de RPA falharem.

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Por Rogério Figurelli em 22/10/2019
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