As novas Startups e os sinais uma nova bolha de tecnologia

No começo do ano de 2017 escrevi um livro [1] sobre a possibilidade de uma nova bolha de tecnologia, que chamo de Bolha 2.0, seguindo o ocorrido no auge da Internet e formação das empresas .com, no final do século passado.

Em um livro lançado esse ano [2], e usando uma amostra de oitenta e oito tecnologias em 150 anos, os autores descobriram que quatro fatores desempenham um papel fundamental nesses episódios: o grau de incerteza em torno de uma inovação específica, a presença atenta de investidores iniciantes, a oportunidade de investir diretamente em empresas especializados em tecnologia e se uma tecnologia é ou não um bom protagonista de uma narrativa. Considerando as implicações de suas análises para as bolhas de tecnologia que podem estar em andamento hoje, eles oferecem ferramentas aos investidores para identificar se uma bolha está acontecendo e propõem medidas políticas que podem atenuar os riscos associados a futuros episódios especulativos.

Na verdade, se estamos ou não entrando em uma nova bolha de tecnologia tão severa como a anterior, ninguém pode afirmar com precisão hoje, mas o fato é que os rumores e análises dessa possibilidade aumentam cada vez mais nos últimos meses [3][4][5]. E isso aconteceu exatamente da mesma forma no início da Bolha 1.0.

Seja como for, parece que não aprendemos muito com aquela experiência e vivemos um novo ciclo de investimentos de alto risco em empresas Startups, que no meu entender simplesmente desconsideram essa possibilidade.

A realidade da Inteligência Artificial forte e genérica

Participo e assisto seguidamente eventos nesse sentido e o que se percebe é a euforia com tecnologias como Inteligência Artificial, principalmente com o grande holofote de avanço do Deep Learning, tanto dos gestores das empresas, como dos investidores.

O que alerto em meu livro, é que a realidade da Inteligência Artificial forte e genérica ainda não é dessa nova onda, e continua longe dos produtos e serviços, mesmo os ofertados pelos grandes players.

Escolhi essa tecnologia porque considero a base de todo o avanço tecnológico atual, inclusive da área de robótica, e portanto, qualquer outra área será impactada no caso de uma nova bolha, se errarmos nesse sentido.

Entretanto, fazendo uma análise do volume e modelo de negócios de Startups, principalmente nacionais, percebo que estamos apresentando para o mercado, e investindo, cada vez mais em modelos que vão enfrentar uma forte barreira de competitividade, ou por se tornarem commodities, com o mínimo diferencial, ou por simplesmente prometerem algo que nunca irá gerar o valor esperado.

E, para ser sincero, me parece que todo o ecossistema de criação, análise e seleção, até o esperado exit final, não mudou absolutamente nada em relação à crise passada, e o grande lucro desse modelo ainda estará na receita do ecossistema em si, e não no retorno dos investidores, cada vez mais sob risco.

Sds.,
Rogério Figurelli em 26/10/2019

____

Referências:

[1] Bolha 2.0: A nova bolha de tecnologia diante da inteligência artificial fraca – Rogério Figurelli

[2] Bubbles and Crashes – The Boom and Bust of Technological Innovation – Brent Goldfarb e David A. Kirsch

[3] If This Is a Tech Bubble in Stocks, It’s the Expansionary Phase
https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-05-03/if-this-is-a-tech-bubble-in-stocks-it-s-the-expansionary-phase

[4] Why the Fed Is Willing to Risk a Market Bubble
https://www.investopedia.com/why-the-fed-is-willing-to-risk-a-market-bubble-4685458

[5] Are Tech Stocks Nearing Another Bubble Burst?
https://finance.yahoo.com/news/tech-stocks-nearing-another-bubble-143204632.html